Escravidão na Bíblia

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Página extraída de Carta a uma Nação Cristã: Contraponto, por RC Metcalf. Para obter mais informações, por favor visite www.ThinkAgain.us.

Escravidão na Bíblia
Uma das razões pela qual você parece desacreditar o Cristianismo é por causa da existência da escravidão na Bíblia. A escravidão tem existido praticamente por toda a extensão da história humana. Costumes culturais não têm permanecido estagnados ao longo dos séculos, e atitudes em relação à escravidão mudaram junto com eles. Movimentos abolicionistas eram raros antes do século 18. Encontramos a primeira e mais notável exceção registrada no livro do Êxodo do Antigo Testamento. As leis do Antigo Testamento ajudaram a determinar o tratamento humano dos escravos. No entanto, no Egito os israelitas serviram principalmente como construtores de tijolo e estavam sujeitos a condições severas. Moisés libertou da escravidão no Egito cerca de 600.000 homens israelitas e suas famílias.

No Império Britânico, os escravos emanciparam-se em 1834 devido aos esforços incansáveis de homens como William Wilberforce e John Newton. Como um ateu, Newton não tinha nenhum fundamento moral sobre o qual basear sua oposição à escravidão. Ele se tornou um servo de um navio de escravos e não recebeu tratamento melhor do que os escravos a quem servia. Ele então tornou-se capitão do seu próprio navio de escravos. Depois de uma tempestade violenta, John Newton experimentou a graça da fé cristã, levando-o a repudiar a sua participação no comércio de escravos. William Wilberforce trabalhou incansavelmente para conseguir a abolição da escravatura na Grã-Bretanha, desde 1787 até sua morte em 1833. Vários meses antes de sua morte, ele presenciou a aprovação da Lei da Abolição da Escravatura pelo Parlamento britânico. O tráfico britânico de escravos finalmente terminou em grande parte devido à infatigabilidade de Wilberforce e Newton. Wilberforce também viveu uma vida cristã ardente, evangélica e protestante, a qual começou apenas dois anos antes de dedicar sua vida à abolição da escravatura. O filme "Jornada pela Liberdade", lançado em fevereiro de 2007, retrata as histórias desses dois homens cristãos.

A escravidão na América e Grã-Bretanha colonial do século 18 foi repleta de racismo e abuso, mas no Israel do Antigo Testamento, o ingresso na escravidão simplesmente se tornou uma necessidade para alguns. Ninguém forçava ninguém a ser um escravo. O escravo assinava um contrato concordando em servir à família do mestre por um período de sete anos. No final deste tempo, a lei exigia o cancelamento do contrato. Durante o período de emissão, o escravo gozava de todos os direitos de qualquer outro membro da família, exceto do direito de herança. A analogia moderna mais próxima seria a de uma babá. Um escravo certamente executaria tarefas muito mais árduas do que o leve trabalho doméstico requerido de uma babá, porém semelhantes relações interpessoais se desenvolviam.

Sua leitura da Bíblia o leva a crer que "todo homem é livre para vender sua filha como escrava sexual – embora certas sutilezas se apliquem.”34

    Se um homem vender sua filha como escrava, ela não será liberta como os escravos homens. Se ela não agradar ao seu senhor que a escolheu, ele deverá permitir que ela seja resgatada. Não poderá vendê-la a estrangeiros, pois isso seria deslealdade para com ela. Se o seu senhor a escolher para seu filho, lhe dará os direitos de uma filha. Se o senhor tomar uma segunda mulher, não poderá privar a primeira de alimento, de roupas e dos direitos conjugais. Se não lhe garantir essas três coisas, ela poderá ir embora sem precisar pagar nada. – Êxodo 21:7-11
Nos dias do Antigo Testamento, quando um homem vendia sua filha como uma serva, ele permitia a sua entrada na aliança matrimonial que ela aprovasse. Um homem ou sua família normalmente iniciava a sequência de passos que levavam ao casamento. O costume do Antigo Testamento incluía o novo marido ou sua família oferecendo um preço de noiva ao pai da noiva. Nem sempre um pagamento monetário, isto pode ter sido um presente ou algo considerado valioso. A passagem acima não oferece apenas sutilezas aplicáveis, mas provê leis para proteger as mulheres que entram no casamento desta forma.

Como exemplo de uma família que incluía noivas-servas, vamos considerar o lar de Jacó. Jacó teve doze filhos cujos descendentes deram origem às doze tribos de Israel: Rúben, Simeão, Levi, Judá, Issacar, Zebulom, Dã, Naftali, Gade, Aser, José e Benjamin.35 Jacó se apaixonou por Raquel e desejou casar-se com ela. Jacó, em seguida, reuniu-se com o pai dela, Labão, e ofereceu tornar-se um escravo durante sete anos a fim de ganhar a mão de Raquel em casamento. Infelizmente para Jacó, o costume no país de Labão era que a primogênita devia casar-se primeiro. Depois de sete anos, Jacó recebe Lia em casamento, ao invés de Raquel, o que muito o irritou. Labão concordou em permitir que Jacó se casasse com Raquel após a semana nupcial de Lia, em troca de mais sete anos de trabalho. Gravemente apaixonado, Jacó continuou como escravo de Labão por outros sete anos para ganhar a mão de sua amada Raquel. Então, Jacó e Raquel também se casaram e expandiram a família que Jacó já tinha começado com Lia. Tanto Lia como Raquel tiveram servas que também se juntaram à família de Jacó. Essas servas, Zilpa e Bila, tornaram-se esposas-servas de Jacó por seu acordo mútuo com Lia e Raquel. Enquanto Lia deu a Jacó seis filhos, cada uma de suas outras três esposas lhe deram dois filhos. Lia também teve uma filha, Diná. Encontramos este relato em Gênesis 29 e 30. Jacó tratava suas esposas, Lia e Raquel, e as esposas-servas, Zilpa e Bila, de forma justa e equitativa. Jacó, suas esposas e seus filhos viveram e viajaram juntos como uma família depois que Jacó terminou o seu contrato com Labão.

Escravidão na Bíblia – Poligamia
A poligamia era uma prática comumente aceita no antigo Israel. Por seu raciocínio, dá-se a concluir que a poligamia continuaria como a lei da terra aqui na América também. Afinal, os cristãos constituem a maior percentagem da população religiosa nos Estados Unidos. Se todas as leis do Antigo Testamento ainda fossem aplicáveis aos cristãos de hoje, Warren Jeffs não seria o único patriarca polígamo nas notícias. No entanto, Jesus falou muito claramente a favor da monogamia no evangelho de Mateus. Mais uma vez, a lei do Antigo Testamento foi revogada pelas palavras de Jesus.

    Ele respondeu: "Vocês não leram que, no princípio, o Criador ‘os fez homem e mulher’ e disse: ‘Por essa razão, o homem deixará pai e mãe e se unirá à sua mulher, e os dois se tornarão uma só carne’? Assim, eles já não são dois, mas sim uma só carne. Portanto, o que Deus uniu, ninguém o separe." – Mateus 19:4-6

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Leia Página 1 da Carta a Uma Nação Cristã: Uma Resposta.

Notas de Rodapé:
34 Sam Harris, p. 15. Ref. Êxodo 21:7-11.
35 Ver Gênesis 35:23-26



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